terça-feira, 1 de novembro de 2011
Estás na mão dele. Fazes tudo o que ele quer. És o que ele quer e como ele quer. Pensas muito pelas ideias dele e pouco pelas tuas. Vives, claramente, por ele. Talvez nem te apercebas muito disso, ou até mesmo nada, mas eu não só vejo como sinto que de à uns anos para cá não és a mesma comigo, não tens a mesma compreensão, a mesma confiança e muito menos a mesma liberdade. Não consegues entender o meu lado, nunca entendes as minhas frases como uma chamada de atenção, chamas-lhe sempre "birras" e mandas-me crescer, ou mudar, ou deixar as coisas como estão mas não te dás sequer ao trabalho de tentar entender o porquê da minha mudança, não tentas por-te do meu lado e perceber porque é que eu digo certas coisas, porque é que choro sempre que me mandas calar. Nunca chegaste a entender o motivo pelo qual me castigaste durante quase um ano inteiro à cerca de três anos atrás, pois não? Não chegaste a entender o motivo pelo qual fazia as coisas que fiz, e tomava as atitudes que tomei não só contigo mas com toda a gente. Nunca acordaste a pensar que se calhar, o problema não era tão meu, mas maioritariamente teu? Nunca, mesmo que tentes, vais conseguir saber o quanto dói perder alguém que amamos tanto e, ao mesmo tempo, tê-la connosco todos os dias. E ainda me questionas sobre o motivo daquilo que chamas má educação? Ainda me perguntas o porquê da minha... não digo falta de confiança, mas sim falta de vontade de não querer partilhar contigo nada do que se passa comigo? E se eu te perguntasse também o porquê de quereres saber das coisas que se passam comigo? Irias responder o quê? Falta-nos a cumplicidade que partilhávamos antes, falta-nos o nosso tempo, os nossos momentos. Falta-me, a mim, a pessoa que eras antes, o valor que me davas a mim e ao que fazia por ti, faltam-me aqueles programas só nossos, falta-me um simples gesto como os de antigamente. Faltam-me aqueles dias chuvosos passados a ver filmes e a comer pipocas. Falta-me a confiança que tinhas nos meus actos, que hoje, quando eu mais preciso dela nunca a encontro. Porque é que te tornaste assim? Ele merece respeito, e eu, não mereço? Eu mereço ouvir as coisas que oiço todos os dias? Um dia, quando abrires os olhos e me vires virar as costas a este horrível espaço onde quase tenho que pedir por favor para falar, e quando te vires sem ninguém em quem descarregares o teu stress todo, quando olhares em teu redor e não vires ninguém com quem possas gritar, ou alguém que não possas culpar pelas coisas que correm mal vais lembrar-te que, afinal, o que eu passo aqui todos os dias não são birras nem caprichos, são os gritos silenciosos de quem não aguenta mais viver no inferno que é querer simplesmente sair com os amigos e não pode porque uma terceira pessoa, que de nada tem a ver com o que faço nem muito menos pode proibir-me de fazer seja o que for, não achava apropriado. E um dia, quando perceberes que a pessoa que tanto criticas e de quem falas mal constantemente, mesmo sem te importar com o facto de essa pessoa mesmo não estando tão próxima de mim quanto eu gostaria é uma das poucas pessoas a quem devo tudo e a quem dou tudo o que posso, a pessoa que mais amo no mundo, era a pessoa que mais tem razão quando diz que és demasiado dura tanto nas coisas que dizes como na maneira que ages comigo. Porque quando te digo que vou a algum sitio, é mesmo para aí que vou, mesmo que penses que é só uma desculpa para poder fazer algo que não gostes. Sempre me ensinaste a falar sempre a verdade, mesmo que para isso tenha que lutar muito por aquilo que quero... e agora não é nisso que te baseias. Limitas-te a não querer ouvir-me e para ti é tudo fácil. Mas um dia isto vai tudo acabar, e tu, vais precisar de mim tanto ou mais que aquilo que eu preciso agora, e tu não me dás! Gostava que conseguisses dar mais valor às coisas boas que ainda te dou, e à pessoa paciente que não vês em mim e que conseguisses parar de ver-me como a má pessoa que não sou. Gostava que conseguisses ter só uma pequena noção do quão me magoam as coisas que dizes, porque tu não eras assim, não foi essa a pessoa com quem cresci, não foi isso que aprendi contigo. Amo-te na mesma e continuas a ser a pessoa mais importante para mim, não pelo pouco que fazes por mim agora mas pelo todo que me deste antes. E quando estiveres disposta a ouvir-me, é mesmo isto que te vou dizer e espero que esse dia chegue... porque um dia, eu deixo de me preocupar com tudo e vou embora e faço-te aperceber de tudo da pior maneira. Eras perfeita quando eras tu mesma, agora não te conheço e quando conseguir entender o porquê de teres mudado tanto a tua forma de ser comigo, defino-te a ti e à pessoa que dizes ser tão boa.
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