Vivíamos à base de "quases", numa dependência um do outro e não perdíamos tempo com mais nenhuma coisa banal sem sermos nós mesmo, mas o preço era alto demais para ser suportado. Lembras-te quando começámos? Eu não esqueço esse começo, a formação do futuro, o transparecer de duas pessoas e a junção de dois corpos e dois corações que se amavam. Mas sinceramente eu não sei dizer o que vi em ti, o que é certo é que o meu tempo foi todo teu, a tua felicidade cresceu, a minha felicidade nasceu. Nunca nos faltaram mil temas para conversas, e essas provinham em situações diversas. Passaram-se semanas e meses, recordávamos os velhos tempo, vivíamos novas histórias. És complicado, um pouco como o amor, sempre um pouco louco, dei-te tudo e conseguias sempre dar-me o troco. Sempre senti que entendias o teu valor e valorizavas o meu amor por ti, assim como por vezes parecia também que não fazias a mais pequena ideia do que estavas a fazer comigo. Vencemos, perdemos, tentámos e lutámos juntos e eu sabia que morreria de amores por ti se saísses mais rápido de quando entraste, mas tinha sempre presente na consciência que se fosse essa a tua vontade eu só teria que respeitar, vontade essa que por meses nunca se manifestou e cada vez a nossa felicidade era maior, mais plena e sã. Haveria eu de pensar que irias ser o rapaz que mais me prendesse a ele da forma mais simples possível, através da coisa em que eu menos confiava, pela sua instabilidade e más experiências... o amor! Eu e tu, valia tudo. Não éramos o casal perfeito, não divulgávamos ao mundo a nossa vida, mas mostrávamos que éramos felizes juntos, e não o fazíamos através de palavras, mas sim pela maneira como lidávamos um com o outro, de uma tal maneira cúmplice que nos denunciava perante toda a gente. Lembro-me quando amuavas e quando tinhas ciúmes... dizias tantas coisas sem pensar, magoavas-me tanto ser reparar. Mas no fim, tudo acabava bem e era isso que nos moralizava e cativava para mais um capítulo da nossa relação. Chegámos a uma altura em que nada progrediu, em que tudo o que era especial e nosso se expandiu e nos afastou. Não era eu que era sempre correta contigo, mas era eu que estava disposta a passar mais tempo contigo, apesar das restrições. Eu e tu a sós não trouxe grandes recompensas, trouxe cada vez mais tempestades! Sem palavras, sem grandes conversas, sem coragem para admitir que não dava mais, fomos arrastando por demasiado tempo a situação mais inesperada. Na escola do amor temos que aprender a dar-nos por vencidos, e foi isso que fizemos. Tornámos-nos num fogo sem chama, num horizonte apagado e a amizade era a única esperança que nos restava para cultivar alguma ligação entre nós. Eu fugia, e fugia e tu encontravas-me sempre, muitos chamam a isso provocação, eu, chamo-lhe amor. Eu precisava de ti para sorrir, precisava de ti porque se havia pessoa que melhor sabia como me levantar eras tu. Nesses olhos mais expressivos do que mil frases eu sentia-me segura. Aquela semente que nos sustentava permaneceu em mim e, em parte, em ti.
Vejo-te uma grande pessoa, com um grande coração que já não é meu, mas será de alguém que o merece, e serás tão ou mais feliz que aquilo que fomos, com a pessoa que te ame tanto ou mais que eu. Não me vou esquecer de ti nunca, e vou amar-te sempre, apenas de maneiras diferentes. Pode ser errado, mas é a coisa mais real que eu já disse, depois do último "amo-te". Quando te prometi que não te ia deixar não menti e sabes que me terás sempre aqui quando precisares de mim. Obrigada por teres aguentado e lutado comigo até ao fim.
E estas são as retrospectivas de um amor profundo e de uma vida a dois, e quando a saudade aperta a verdade interioriza. Lembra-te sempre de mim, meu grande amigo!
"Procura-te no meu coração, vais encontrar-te sempre num cantinho, que mesmo sendo mais pequeno, será sempre especial."
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