"Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas."
domingo, 9 de outubro de 2011
Hoje, em pleno Outono fui à praia, sentei-me na areia molhada e fiquei intacta a observar o mar, a ouvir o som do rebentamento das ondas e senti-las, gélidas, inundar nos meus pés, já gelados por essa mesma razão. Vi o sol descer no horizonte e o céu ficar aos poucos cada vez mais escuro. Enquanto isso, pensei em muitos capítulos, histórias e fases que já se cruzaram na minha vida. Pensei em pessoas que há muito tempo não pensava e noutras que nunca chegaram a desaparecer por completo e deixaram sempre uma marca especial, tanto pela positiva como pela negativa. Pensei, essencialmente, nas coisas boas que a vida nos dá, nas coisas que por alguma razão ainda permanecem connosco. Pensei no que me faz bem, no que me faz sorrir e nas boas memórias que tenho com muitas pessoas. No fim, quando tornei a levantar-me senti-me estranhamente aliviada... quer acreditem quer não, senti-me leve, como se silenciosamente tivesse desabafado com aquela praia, com aquelas ondas ou simplesmente comigo mesma e soltei um sorriso, dos maiores que já soltei desde sempre. Enquanto lá estava, enquanto o vento esbarrava contra mim, imaginei como seria a minha vida e como passaria os meus dias se não tivesse abdicdo das lutas que abdiquei à cerca de dois ou três meses e se não tivesse percebido quais são as coisas que realmente têm valor e são importantes para nós... aquelas que valem a pena e aquelas que, pelo contrário, não nos servem de nada. Parece que mudei de mentalidade, sinto-me outra pessoa, mais... realista, talvez. Lembrei-me também da quantidade de objectivos que já alcancei por mim mesma, dos sonhos que já realizei totalmente pelas minhas próprias mãos e também daqueles que, julgando eu ser um sonho e também tendo conseguido realizar, talvez não na altura certa mas, mesmo assim sendo uma vitória que por consequência me fez acreditar mais uma vez em coisas que não me pertenciam realmente a mim como eu estupidamente acreditava, ou fazia de tudo para acreditar. Tudo isto serviu para mim como uma espécie de "formatação", como se tivesse passado todas as coisas boas e todas as coisas más para uma pedra, essencialmente muito bem divididas, e a tivesse mandado ao mar, que a levou para bem longe e que nunca mais a trará de volta. Pelo menos assim espero! Agora, vou novamente iniciar um novo capítulo que sei que, como todos os outros, vai ficar marcado e ser relembrado sempre, pelos factores positivos e negativos que se cruzarão pelo caminho. Hoje, estou rodeada de pessoas especiais, cada uma da sua maneira, cada uma com a sua determinada característica, cada uma com a sua maneira diferente de ser especial e cada uma com as suas qualidades... pessoas essas que, pela primeira vez em talvez anos não quero que desapareçam, porque as pessoas que estão comigo agora são aquelas que ficaram dos tempos difíceis, e outras que são recentemente importantes e sem as quais eu já não me vejo. Quanto ás que foram embrulhadas na pedra, essas ficam sempre cá dentro, não necessariamente no pensamento, mas talvez num cantinho isolado do coração, um cantinho, espero eu, fechado a sete chaves perdidas. Se eu disser que agora estou certa de que estou 100% feliz, acreditam?! :)
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