Ela era apenas uma simples rapariga bonita de 15 anos com uma enorme vontade de ter a sua independência, o seu espaço e o seu lugar no coração de alguém. Ele era o típico rapaz de 16 anos, o dito “garanhão”. Conheceram-se por acaso ao portão da escola muito pela distracção dela e a arrogância dele. Ele seduz, usa, abusa e deita fora. Ela apaixona-se, sofre, chora e sente-se humilhada. Ele goza, ri e vai embora. Ela sente que depois daquela desilusão não pode confiar em mais ninguém e por isso esconde-se dentro dela mesma, age como se não houvesse ninguém no mundo com quem poça partilhar nada, sente que não tem um único amigo e vai embora, muda de cidade e vai para bem longe. Ele percebe que ela não era apenas mais uma para brincar, usar, abusar e deitar fora e procura-a desesperadamente; já não a encontra em lado algum. Ela conhece pessoas novas, descobre que afinal tem muita gente que se preocupa com ela e descobre finalmente a felicidade. Ele sente que perde metade de si com a ausência dela e chora por ela, a miudinha de 15 anos que, afinal, era espectacular. Ela sente-se bem e decide voltar, feliz. Ele procura-a, meses depois e diz tudo aquilo que sente. Ela solta uma gargalhada e vai embora, aí ele percebe que ao brincar com os sentimentos dela acabou por descobrir o amor e sofreu, anos a fio pela rapariga com quem gozou à primeira oportunidade. Não se escolhe quem se ama, escolhe-se sim a maneira como tratamos as pessoas que, bem ou mal, nos podem surpreender.

Sem comentários:
Enviar um comentário