domingo, 10 de junho de 2012



Desapareceste durante largos meses que pareciam nunca mais ter fim e hoje, por mero acaso cruzei-me contigo numa rua repleta de trânsito e cercados de uma multidão apressada… uns atrasados para o emprego, outros simplesmente impacientes sem razão aparente. Olhei para ti e só consegui sorrir, talvez pela felicidade que me iluminou por dentro… Ou até por outra razão qualquer, pouco me importa. Mas eu via-te perto! Via-te tão perto, como nunca te vira antes e só isso me interessava naquele momento. Via os teus olhos da cor do céu centrados nos meus que oscilavam de tanta timidez, o teu sorriso radiante tal e qual como o sol que banhava a tarde… por curtos instantes fomos só nós, sem mais ninguém à nossa volta. Tinha saudades de sentir o teu toque percorrer os meus braços, de sentir a tua respiração tão calma e serena, de me encostar a ti e sentir-me segura como se entrasse num mundo fora do meu alcance. Que saudades das tardes quentes de Verão que passávamos a sós, entre muitas trocas de olhares cúmplices, das nossas noites em que, numa ou outra festa, te sentavas ao meu lado e simplesmente nos olhávamos como se nunca mais nos fossemos ver, rodeados de brincadeiras tão nossas como a vontade que tínhamos de ficar ali para sempre. E os nossos abraços bem apertados, os beijos tímidos, a sensação de borboletas no estômago. Tinha saudades de sentir isso contigo e corri, corri em direção a ti e parecia que esses pequenos metros eram intermináveis. Foi então que parei, mesmo em frente a ti e me abraçaste sem hesitar… Senti-me como se nunca me tivesses largado e tu não podes sequer perceber o quanto isso significou para mim.
                Foi então que pensei: - E agora? O que vem a seguir? Vais abandonar-me de novo como se nada disto tivesse significado?
E parecendo que ouviste os pensamentos olhaste-me tão profundamente nos olhos e repetiste vezes sem conta: - Agora não te largo mais! Nunca mais!
E deixas-te o teu íntimo transparecer perante toda a multidão, seguraste-me a mão e caminhaste comigo sem rumo, sem destino, sem limites, sem mais ninguém ao nosso redor. Eramos eu e tu, sem barreiras nem promessas de amor eterno. E eu? Eu senti-me amada pela pessoa que realmente amava… nada no mundo é tão significativo.


                Independentemente do futuro, o que vivemos com as pessoas que amamos nunca é tempo perdido quando somos amados também, independentemente da maneira que acabe sabemos que um dia fomos felizes com aquela pessoa, e que nunca mais a esqueceremos! 

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