A vida está a ser demasiado dura contigo, cometeste os teus erros tal como cada um comete os seus, mas deste-me a mim, tal como a todos desta família, um por um, tudo o que podias e o que não podias dar. Nunca abandonaste nenhum de nós, nunca desististe de nós e agora que és tu a precisar de nós muitos te viraram as costas! Mesmo assim, continuas a dar mais valor àqueles que te deixaram para trás e a ser, em parte, cruel com os que estão contigo todos os dias, que te ajudam como podem e dão tudo para te manter bem. Continuas a ser tudo para mim, e eu, apesar de fazer parte das pessoas que estão contigo todos os dias às quais desvalorizas sempre um pouco mais, não te quero ver sofrer de maneira nenhuma. Porém e infelizmente eu sou apenas mais uma pessoa no mundo, mais um ser humano que não te pode tirar todas essas doenças que tens e deixar-te imune a qualquer dor. Chego até a sentir-me inútil quando te vejo a lutar contra ti mesma para conseguires respirar.
Sabias que choro por ti imensas vezes? Sabias que hoje chorei por ti no mínimo umas 7 vezes? Faço tudo o que posso, mesmo que isso não seja suficiente e sabes que é uma luta enorme ver-te deitada numa cama de hospital acompanhada de uma garrafa de oxigénio. Hoje, a partir do momento que chamei a ambulância até ela chegar, mesmo que tenha sido pouco mais de dez minutos foi a mais longa e dolorosa espera desde sempre, e ao vê-la chegar com tanta velocidade perguntei-me a mim mesma se eles tratariam bem de ti na minha ausência. Estive a observá-los a trabalhar e a ouvir com muita atenção o que diziam, estavas com muito boa pulsação o que me tranquilizou de imediato, mas não totalmente. A tua tenção até estava bem melhor que a minha, segundo um dos excelentes bombeiros que vieram em teu socorro. Porém, quando te fizeram o teste de glicemia verificaram que não estava nada controlada... estavas com uma taxa demasiado elevada e isso não é nada bom, mesmo que isso seja estranho porque as análises que fazes constantemente (algumas até feitas a semana passada) tenham provado aparentemente que não tens diabetes. Ouvi também que não estavas a respirar bem e só estavas a absorver 93% de oxigénio, sendo claro que precisamos de 100% ou quanto muito 96%. Agora lá estás tu, novamente numa cama de hospital a fazer novas análises e com a tua mais recente cúmplice, a garrafa de oxigénio. E aqui estou eu, à espera de notícias, à espera de te ver entrar pelo teu próprio pé pela porta, e não deitada numa maca, como saíste à algumas horas.
Devo-te tanto, mas tanto. Devo-te os grandes lanches que me fazias quando eu era pequenina, devo-te as idas ao parque, devo-te os doces que me compravas, devo-te o carinho, a dedicação e tudo o que me deste até hoje. Amo-te, e não restam dúvidas que mesmo que estivéssemos em lados apostos do mundo eu te iria amar como agora. Lembra-te sempre que me tens aqui para qualquer coisa e que podes contar sempre comigo, lembra-se essencialmente que eu nunca te virarei as costas... mesmo que não te lembres do meu nome nem quem eu sou. Estou aqui para ti, até ao fim, com muito amor. Porque sempre serás sangue do meu sangue, e estarás sempre ligada a mim. Com muito orgulho de te ter tão próxima de ti... amo-te!

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