Sinto a tua falta, de uma forma ou de outra. Antes de passarmos tudo o que passámos já fazias parte de uma vida que, agora quando penso nela, não era a minha. A verdade é que a primeira vez que falei contigo naquela noite (e disso lembro-me muito bem como se tivesse sido hoje) foi quase que acidentalmente e deves ter achado extremamente estranho uma rapariga que na altura não conhecias de lado nenhum te ter pedido uma estupidez daquelas. Mas tu, como tão bem-educado que és (ás vezes) respondeste-me tão bem que a conversa que era para ser breve acabou por durar horas. Fiquei surpreendida, sim. A primeira impressão que tive de ti foi seres um completo convencido, pelo pouco que tinha visto de ti, e quanto a isso eu estava completamente ao lado! Sem querer tinha criado a imagem errada de ti, imagem essa que também não durou muito tempo porque depois, pela maneira como falavas comigo, como me fazias inúmeras perguntas como mostraste gostar das respondas a minha opinião sobre ti deu uma volta de 180 graus. É inútil falar de uma pessoa assim desta maneira, mas sim, foi mesmo assim que as coisas começaram. Falámos continuamente durante muito tempo, descobrimos coisas um do outro que nos fascinou, sim, fascínio é a palavra certa. Tornaste-te mais que um amigo mas faltava-me a coragem para to dizer e por esse motivo mantive-me calada sobre este assunto alguns dias. Repito: faltava-me coragem! Coragem essa que só encontrei no dia 19 de Julho de 2010. Não sabia o que esperar de ti nesse dia, disse-te tudo o que fazia e não fazia sentido, tudo o que naquele momento me parecer apropriado… disse-te o que me ia na cabeça e no coração. Surpreendeste-me, mais uma vez! Disseste-me precisamente o mesmo a mim, partilhávamos os mesmos sentimentos e não fazíamos ideia, passámos os dois pelo mesmo medo sem saber. A partir desse dia comecei a pensar de forma diferente, mudaste uma parte da minha maneira de ser, apagaste tudo o que havia de errado em mim. Não te queria desiludir, nunca quis e por isso cresci, cresci como pessoa, cresci por ti. Assim, a minha forma de pensar também mudou e eu, que era tão altruísta acabei por me transformar na pessoa que tu consideravas perfeita. Na verdade sempre fomos parecidos em tudo menos nesse aspecto: tu acreditavas na perfeição. E até nisso me conseguiste mudar porque eu te achava também perfeito, via-te como a melhor pessoa para estar ao meu lado sempre e até para sempre. “Para sempre?” tenho grandes dúvidas que isso exista, “sempre” é daquele tipo de coisas inconstantes e sinceramente é plena ilusão e talvez uma forma de dizer “quero estar contigo até ao fim, até não dar mais”. Connosco foi assim, estivemos juntos até ao fim e o nosso sempre terminou ali, porque não dava mais! Costumo dizer que quando se desce a terra e se abre os olhos, o que víamos antes não era nem metade verdade, e estava longe de o ser. Foram os chamados 6 melhores meses da minha vida até hoje, meio ano partilhado e modéstia parte muito bem partilhado. Começaram as discussões, os desentendimentos, os ciúmes com e sem fundamento, as famosas frases ditas da boca para fora e, assim, o chamado início do fim. Penso imenso na quantidade de coisas que queríamos ter feito juntos e não conseguimos, seis meses foram tão pequenos para tantos sonhos em comum. Ainda há muita coisa que não faz sentido, talvez até porque se calhar nunca fez. Foste um grande amor e isto é estranho dizer, sinto-me como uma velha de 80 anos que acabou de ficar viúva, mas é a verdade. Acho que não o disse da melhor forma, talvez fique melhor “até hoje, foste um grande amor”. Já viste como as coisas mudam? Há apenas dois meses não adormecíamos sem uma palavra de conforto um do outro, sem um “amo-te”, sem pensar que amanhã será um novo dia e uma nova página do livro da nossa vida. Até hoje não consegui perceber se tu mudaste tanto em seis meses ou se eu é que te via alguém diferente no início. Não interessa, foste importante para mim todos os dias e de todas as formas. Não me esqueço da pessoa que foste comigo e não podia pedir melhor, mas como tu mesmo dizes: as coisas mudam. Sim, mudam, e de que maneira. Nunca me esqueci de ti e temo constantemente o facto de ainda o conseguir fazer, não é nada bom para ti e muito menos para mim. Quero sinceramente esquecer-te por mais que isso me custe, mas ainda tenho amor próprio e esse é maior que qualquer amor que possa sentir por ti. Atrevo-me até a dizer que já não quero saber de ti e um dia, mesmo sem ter obrigação de tal, vou provar-te isso. The end.
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