sábado, 8 de janeiro de 2011

K ♥

Cada vez que vejo a tua fotografia dá-me vontade de chorar, de te procurar em qualquer parte do mundo, posso até dizer que é um misto de emoções. Já faz muito tempo, pelo menos dois anos e ainda olho para a tua fotografia com regularidade. O meu pensamento é sempre o mesmo, tenho saudades tuas. De todas as vezes que me ligavas á meia-noite só para dizer «dorme bem», de todas as conversas perversas, das vezes que estávamos calados a ouvir simples e unicamente a respiração um do outro, de todas as vezes que cantavas as músicas mais parvas de sempre, daquelas noites frias que me dizias que me emprestavas o teu casaco que cheirava abusadamente a Axe de chocolate, de todas as vezes que me fizeste sorrir dizendo que sou mesmo importante para ti apesar de tudo. Tenho saudades das nossas chamadas até as 4h da manhã onde imploravas por um passeio, de quando me tranquilizavas e dizias «não te preocupes, vai tudo ficar bem», de todas as vezes que adormecíamos a falar e até das vezes que mordias a pulseira que compras-te com o meu nome. Sinto a tua falta e sabes porquê? Porque tu não eras nem um amigo nem mesmo um melhor amigo, eras um irmão, sem tirar nem pôr. Durante meses foi contigo que sorri, foi contigo que partilhei todas as coisas, foi a ti que recorri quando estava mal e te ligava de madrugada porque precisava de ouvir a tua voz, a tua respiração, as tuas palavras que estavam sempre certas. Partilhámos tantas coisas, tomávamos decisões que mesmo difíceis sabíamos que eras as melhores, protegias-me onde quer que estivesses e sabíamos que ao tomarmos a decisão que tomámos iríamos ficar um sem o outro, mas só fisicamente. Com a tua ausência perdi um suporte! Odiava-me por saber que estavas mal e não podia fazer nada para mudar isso, ouvia a tua voz triste e distante a dizer vezes sem conta «não te preocupes, eu ultrapasso isto» mesmo sabendo que o teu maior desejo era voltar para o sítio de onde nunca devias ter saído! Chorava, sim, chorava todas as vezes que te ouvia dizer «era de uma amiga como tu que toda a gente precisava de ser feliz neste mundo» e esta era a frase que dizias repetidamente todos os dias. Lembro-me da nossa ultima conversa, foi por chamada e eram 4h35 da manhã, cantaste-me as musicas que mais gostavas, disseste que voltavas e prometi-te que iria estar cá para te receber, falámos horas sobre tudo, depois tive que desligar a pressa e tu disseste-me um simples «amo-te muito, dorme bem». Mas a partir daí, dessa conversa, dessa noite desapareces-te, nunca mais disseste nada, perdemos completamente o contacto. Desde aí ponho-me a imaginar muita coisa, mas nada bate certo. Já estavas longe não porque querias mas porque o trabalho do teu pai o obrigava, assim sendo eu não podia fazer mais nada. Hoje, olhei mais uma vez para a tua fotografia e chorei, chorei desesperadamente por saudade, por falta, por necessidade de te ver de novo, por precisar de ti todos os dias e partilhar toda uma vida contigo! Pensem o que quiserem, digam o que disserem és a melhor pessoa que já conheci em toda a minha vida, com piercings ou sem piercings, saltando por cima de todas as críticas que faziam por isso, por pensar que por teres uma aparência diferente eras má pessoa, que por te vestires de preto eras estranho e de um mundo a parte! E hoje vejo que essas pessoas não foram a lado nenhum, provaste a todas elas que estavam enganadas, que tinhas os teus defeitos mas não querias ser tratado de maneira diferente muito menos chamar a atenção. Sempre poupas-te elogios exagerados, sempre foste simples, querias o teu espaço e se o tivesses estavas bem e não chateavas ninguém. Perder-te foi a pior coisa que já me aconteceu, mas perder-te sem saber porquê e sem saber sequer onde estás, se estás bem ou mal ainda é pior. Não me esqueço de ti porque ao contrário do que as pessoas pensam eu não era apaixonada por ti, eras apenas a única pessoa com quem me identificava e isso tinha um valor imenso! Fazes-me falta, o teu sorriso faz-me falta, os teus olhos fazem-me falta, a tua voz faz-me falta. Um dia reencontro-te e digo tudo o que nunca te consegui dizer mesmo que esse dia esteja longe e nesse dia vou cumprir todas as promessas que te fiz e não tive sequer tempo para cumprir, fiquei-te a dever o nosso dia, o sorriso que era só teu! Fiz a promessa de que ia estar cá quando voltasses e quero cumpri-la. Nunca tive a coragem de te olhar nos olhos e dizer-te o quão importante te tornas-te em apenas seis meses, ou mesmo até de olhar para ti, olhar para o teu sorriso inconfundível e dizer que era ele que me levantava juntamente com as frases que o completavam. E hoje sim, dizia-te que os teus olhos verdes diziam tudo o que não eras capaz de dizer, dizia-te que ocupaste o lugar que muitos não souberam ocupar e o soubeste preencher muito bem, agradecia-te por todas as qualidades que me fizeste descobrir e por teres sido um irmão ou até mais que isso para mim, por teres a paciência que sempre tiveste e a confiança que nunca escondeste. Ainda guardo o teu «Rawr» tal como ele tem que ser dito... por ti. Amo-te onde quer que estejas, era uma amizade sem preço, enorme e especial e não como as amizades falsas que fomos descobrindo que tínhamos, um sentimento que agora se resume a saudade mas também a um orgulho de tudo o que nos conseguimos transformar a nossa amizade que será eterna, mesmo sem saber onde estás fisicamente porque do pensamento e do coração nunca saíste e se depender de mim nunca irás sair, Kevin. ♥

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